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Será que temos
realidade do que são momentos de felicidade? Geralmente, quando uma pessoa
exclama, “Estou tão feliz”! é porque vinculou com uma pessoa, começou um novo
amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos
que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que
essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que
não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é
ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque março vai começar e temos longos novos meses para fazer de 2013 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a
pouco será hora
de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo
sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada,
nada mesmo?
Talvez passe
pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza
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. "Faça
isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam “lá” pelo
mesmo caminho?
Particularmente,
gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura transformar as situações ordinárias em extraordinárias e se
concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não
atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também.
Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual.
Porque felicidade é calma, é Consciência, é paz. É ser manso para aturar
o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar espantosamente
assombrado consigo próprio: é ter
domínio próprio, é ser longânimo. Pois é, são os efeitos colaterais de querer e de estar vivo.
Benditos os que
conseguem se deixar em paz. Os que perdoam os outros e se perdoam, bendito os
que não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem
sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que
sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se
adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente!
É uma senhora ambição.
A vida não é uma
passarela, onde você precisa fazer caras e bocas. Você não precisa ter que
responder ao mundo quais são suas qualidades. Você é o que é, um imperfeito
bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
No meu
entendimento, ser feliz por nada já é o caminho da felicidade!
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