O mico da ignorância, quem aproveita quando paga?

"Poucos conseguem pagar a conta que o tempo cobra."

Pude perceber que em todas as regiões do Brasil onde palestrei, mesmo com climas, sotaques e culturas diferentes, os problemas são os mesmos: basicamente todos temem pagar o “mico da ignorância”.
Quando surgem situações que não dominamos, logo sentimos vontade de mudar o rumo da conversa. Somos emocionalmente inclinados a fugir. Por que será que isso acontece? A resposta imediata normalmente é: fugimos porque não sabemos como nos comportar. No entanto, convido vocês a fazer uma análise mais profunda, a descobrir o motivo original que está no íntimo de nossas almas.
Essa viagem até o motivo original requer certo nível de esforço, pois nossas respostas imediatas normalmente, não são mentiras, mas, verdades parciais. Neste exercício chego à conclusão que fugimos do “mico da ignorância” por não sabermos como nos comportar, e mais profundamente, por resistirmos a aprender.
Sob essa ótica, estamos certos quando fugimos do mico, pois nos livramos da fragilidade que é lidar com o desconhecido. No entanto, se considerarmos o motivo original da resistência ao aprendizado, perceberemos que pagar o “mico” é uma excelente oportunidade!
Quem suporta, entretanto, expor sua ignorância? Nosso entendimento é restrito ao dicionário, onde diz que ignorância significa desconhecimento, falta de saber, mas ignorância produtiva é outra coisa. Em tempos que a informação está por todos os cantos, disponível até na nossa casa, conhecer não garante nada, mas sim aprender com o que se conhece.
O contexto nos empurra para uma avalanche de descobertas que nos fazem bem, ao mesmo tempo em que, nos obrigam a abrir as janelas da mente e DUVIDAR de quase tudo que temos como verdade para que, de fato, a informação gere aprendizado.
O que é verdade neste mundo afinal? Não paramos para pensar que todos perseguem a mesma meta - ser feliz, ter paz e prosperidade. Mas ter informação não nos garante isso. Este é um assunto muito badalado nas rodinhas de bate-papos, informação que alimenta o “faz de conta”, esta é a verdade. E sabe por quê? Porque SABER não muda a vida de ninguém. Porque palavras bonitas estão ao alcance de todos, mas trazê-las para a vida real, é meta para uma VIDA.
É preciso negar as emoções, vontades, abrir mão do imediatismo (aliás, livremo-nos do imediatismo, pois ele gera só ansiedade). Poucos conseguem pagar a conta que o tempo cobra, mas quem não paga, mês a mês, chega ao final da vida com uma conta impagável. Quantas vezes já vimos pessoas mais velhas arrependerem-se de não terem se reconciliado, não terem vivido mais próximos de pessoas que gostavam. Faz, no mínimo, 15 anos que ouvimos: VIVAMOS de fato! Pelo jeito o “conhecer” ainda não garante que vamos cumprir nosso propósito de vida.

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